Com todo o otimismo para 2022, como o setor tem se saído até agora? A Onyx tem sido a única fornecedora de dados de pagamentos do Skift Travel Health Index e tem ajudado a monitorar as tendências de recuperação desde a criação do índice. Revisamos o desempenho dos primeiros 6 meses de 2022 e destacamos 5 principais conclusões.
A recuperação no Skift Travel Health Index aumentou de forma constante no primeiro semestre
O Skift Travel Health Index foi lançado em maio de 2020 como uma medida em tempo real para acompanhar a saúde do setor de viagens além do impacto da pandemia de Covid-19. O indicador-base é de 100 pontos, fornecendo uma pontuação relativa ao mesmo mês de 2019. Os pontos são determinados por números de viagens globais e domésticas, vendas no varejo, ocupação de hotéis e de locações de curto prazo e viagens aéreas.
No início de 2022, a pontuação do Índice Global era de 65 pontos, ainda 35 pontos abaixo dos níveis de janeiro de 2109. Embora o número não fosse bom, foi superior aos 44 pontos registrados em janeiro de 2021. Com a abertura de mais fronteiras, fevereiro teve o mês mais forte de recuperação desde o início da pandemia, subindo 9 pontos percentuais para expressivos 74 pontos. Março teve pouco avanço devido à guerra na Ucrânia e às fronteiras ainda fechadas da China, mas, na América do Norte, o Travel Health Index subiu de 78 em janeiro para 96 pontos — pouco abaixo do nível de 2019. Abril e maio registraram um retorno a níveis “tradicionais” de demanda, chegando a 81 pontos até o fim de maio, e também viram sete países (Brasil, França, Índia, Itália, México, Turquia e EAU) entrarem para o “clube dos 100”, em que as viagens voltaram aos níveis de 2019.
Surpreendentemente, em junho, e pela primeira vez desde janeiro, o Skift Travel Health Index caiu um ponto. O número pode parecer pequeno, mas é significativo, pois preocupações econômicas, cancelamentos em massa nos aeroportos e aumentos de preços parecem estar alcançando o setor. Os meses de verão normalmente significam aumento nas viagens e, com os EUA tendo removido recentemente a exigência de testes para entrar no país, é de se esperar que o índice volte a subir no próximo mês.

Os preços dos hotéis sobem
Apesar do aumento do ADR dos hotéis durante a recuperação, as taxas de ocupação globais aumentaram nos as taxas de ocupação globais aumentaram nos últimos seis meses. Até maio, as tarifas publicadas dos hotéis estavam acima dos níveis de 2019 em quase todos os países, e parece não haver nenhum sinal de queda dos preços elevados. A Bloomberg informa que os preços dos hotéis aumentaram cerca de 33% em todo os EUA no último ano. No entanto, em algumas grandes cidades, os aumentos são muito maiores. Por exemplo, o preço médio de um quarto de hotel em Chicago em junho foi de $361 — um aumento de 93,6% em relação ao ano anterior.
Esses preços elevados também estão começando a ter um impacto real nas decisões dos viajantes. Uma pesquisa recente da Skift Research constatou que quase três quartos disseram que, devido ao aumento dos preços, estavam reconsiderando seus planos de viagem. Embora 23% dos entrevistados tenham dito que estavam cancelando ou adiando completamente seus planos de viagem de verão, a maioria ainda pretende viajar, mas está considerando escolher alternativas mais baratas para transporte e hospedagem.

Cidade ou campo?
No início da pandemia, muitas cidades ao redor do mundo estavam em lockdown, então as pessoas começaram a migrar para praias e cidades do interior, escolhendo espaço e isolamento em vez de centros urbanos lotados, atividades em ambientes fechados e transporte público. Mas, nos últimos meses, há sinais crescentes de que as cidades finalmente estão começando a voltar. O CEO do Airbnb, Brian Chesky, comentou recentemente que a demanda urbana na plataforma agora voltou a ficar acima dos níveis de 2019.
Segundo o Airbnb, Dubai tem sido o destino mais popular nas buscas por hotéis, com mais que o dobro de buscas em comparação com 2019 nos últimos três meses.
No outro extremo, os níveis de busca pelas cidades americanas de Nova York e Los Angeles ainda estão abaixo dos níveis pré-pandemia. Mas, curiosamente, as viagens de negócios para as cidades estão se recuperando mais do que o esperado. Falou-se muito que as reuniões virtuais reduziriam permanentemente a necessidade de viagens corporativas, mas a American Airlines, uma grande companhia em LaGuardia e JFK, disse recentemente a investidores que as viagens de negócios haviam atingido 80% dos níveis de 2019 e em breve chegariam a 90%.
Impacto da Ômicron
Não surpreende que, quando a Ômicron surgiu, houve um impacto notável no desempenho das viagens, com a pontuação de viagens da América Latina sendo a mais afetada. No entanto, a maioria das regiões está mostrando uma recuperação rápida, com Europa, Oriente Médio e África sendo as mais lentas a se recuperar, mas ainda registrando pontuações acima do desempenho pré-Ômicron em até dois meses.
Com a redução dos casos de covid, muitos países que mantinham suas fronteiras fechadas agora estão reabrindo. Nessa lista estão Indonésia, Tailândia e Singapura, que se recuperaram rapidamente e estão apresentando bom desempenho. No fim de fevereiro e início de março, Singapura permitiu a entrada de viajantes totalmente vacinados vindos de alguns poucos países selecionados, mas agora está aberta para quase todos os países. Tailândia e Indonésia seguiram logo depois, flexibilizando as regras de testagem na entrada.
As complexidades e o impacto das viagens aéreas
Ao analisar os dados de crescimento geral do setor de viagens e hospitalidade nos três primeiros meses do ano, o crescimento mais substancial veio predominantemente das viagens aéreas. Enquanto a recuperação estagnou nos setores de locações por temporada, hotéis e aluguel de carros, as viagens aéreas elevaram sua pontuação de 59 para 62, em comparação com uma linha de base de 100 em 2019.
O CEO da Delta Airlines, Ed Bastian, observou durante a teleconferência de resultados do 1º trimestre de 2022 da empresa que: “À medida que a Ômicron recuou, vimos um aumento na demanda.” Ele detalhou isso em uma entrevista à CNBC, explicando que março foi o melhor mês da história da Delta em reservas feitas para viagens em março e nos meses seguintes.
No entanto, em junho houve uma queda acentuada, causada por grandes faltas de pessoal, especialmente nos aeroportos, resultando em altos níveis de cancelamentos forçados de voos. Dados da OAG (Official Airline Guide) mostram como os assentos programados em aviões caíram em quase todos os países. Na Ásia, ainda persiste a incerteza sobre os requisitos de viagem, enquanto, na Europa, os aeroportos não têm conseguido processar os fluxos de passageiros e bagagens. A má repercussão também está impactando as buscas por voos, com dados da Amadeus, Skyscanner e Sojern mostrando uma queda considerável de 68 pontos percentuais globalmente em maio para 42 pontos percentuais em junho, em comparação com os níveis de 2019. A Europa caiu 40 pontos percentuais, de 107 (indicando que as buscas por voos em maio de 2022 foram maiores do que em maio de 2019) para 67.

Então, o que os próximos seis meses trarão? Os viajantes continuarão impulsionando a demanda, enquanto as viagens de negócios devem decolar. As viagens corporativas domésticas (EUA) estão em 81% dos níveis pré-pandemia e devem chegar a 96% em 2023. E, em junho, 89% das empresas já estavam permitindo viagens corporativas domésticas não essenciais. Algumas perguntas que permanecem: as companhias aéreas e os aeroportos conseguirão lidar com o aumento de capacidade? As tarifas hoteleiras vão se estabilizar?
Embora a principal prioridade de muitos hotéis no pós-recuperação da COVID seja a receita, é benéfico acompanhar tendências de mercado como as contempladas no Skift Travel Health Index. O resultado pode ser uma visão mais aprofundada para compreender as tendências atuais e futuras do negócio.
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